GerbilECia no Insta

Como o Esquilo da Mongólia chegou ao Brasil?


Se o Gerbil é do deserto, conhecido como Esquilo da Mongólia pelas autoridades brasileiras, como de fato ele veio parar aqui? Afinal, ele não é um animal da fauna brasileira e por isso é considerado exótico. 

Esse pequeno roedor não é um rato, nem um hamster, nem um esquilo, é na realidade um Meriones. Aqui tem uma postagem explicando o que é um Gerbil. 


ORIGEM DA ESPÉCIE
A espécie Meriones Unguiculatus tem sua origem nos desertos e estepes da Ásia Central e Oriente Médio. Ficando em seguida muito populoso em todo o hemisfério norte, principalmente EUA e Europa. Após isso, o gerbil se popularizou em todo o mundo como um ótimo animal de estimação, sendo levado à outros Países onde ainda não existia, como África e América do Sul. 
Foi ai que começaram a fazer cruzamentos em laboratório para conseguir cores diferentes do Agouti, cor selvagem dos gerbis. Nesses cruzamentos, escolhendo bem as matrizes, os pesquisadores conseguiram isolar os genes recessivos e produzir gerbos de olhos vermelhos, com menos cor, com marcação. É assim, trabalhando a genética recessiva que se conseguem cores novas para cada espécie.  O mundo passou a ter gerbos de todas as cores como pet.

                                    
COMO CHEGOU AO BRASIL

Após chegar na América do Sul, os gerbos ficaram bem conhecidos no Chile, Uruguai e Argentina. Foi em travessia de carro da Argentina para o Sul do Brasil que os primeiros meriones unguiculatus chegaram aqui! Isso não se sabe ao certo em que ano aconteceu, mas foi por volta de 1998. Eles vieram de carro e começaram a ser criados nas cidades de fronteira, nos estados do Paraná e Santa Catarina. O IBAMA registrou e catalogou eles com o nome brasileiro de Esquilo da Mongólia, mesmo ele não sendo um esquilo.


 Por isso no Sul do Brasil até hoje existe maior variedade de genética, cores e padrões que no restante do país.  


UNIVERSIDADES RECEBERAM GERBOS PEW COMO COBAIAS
Nos outros estados brasileiros, os gerbos foram passados bem lentamente, através das universidades federais que utilizavam eles como cobaias e alimento vivo. Então as capitais que tinham universidades federais com grandes centros especializados em fauna, receberam gerbos para reprodução própria e exclusiva (eram apenas para a faculdade, não poderiam ser vendidos ou doados para pessoas de fora). Esses gerbis das universidades eram todos na cor PEW, os brancos de olhos vermelhos, que eram usados apenas em testes e pesquisas, ou como alimento vivo para répteis e aves de rapina.  
             

Inclusive, na época em que eles chegaram ao Brasil, eu morava no Norte do País e lá não existia gerbil. Eles chegaram então para a UFPA, Universidade Federal do Pará, e o primeiro contato que tive com eles foi no Museu Emilio Goeldi em Belém, onde os pesquisadores de répteis criavam esquilos da mongólia PEW como alimento e cobaia. Não existia gerbil pet na região norte e nunca tinha passado por lá um que não fosse branco da cor PEW. E ao cruzar PEW x PEW, a única cor que nasce é PEW... Ou seja, nunca tirariam nenhum outra cor de gerbil se não pegassem de fora.



ESPALHANDO GERBOS E CORES NOVAS PELO BRASIL
A partir das cores que se conseguiram no Sul, chegando de carro da Argentina, os criadores conseguiram ir reproduzindo e passando gerbos de carro para cidades próximas. Por isso a primeira região a ter gerbil foi o Sul e a segunda foi logo o Sudeste, que fica ali pertinho. Por isso que São Paulo e Rio de Janeiro ainda são os estados com mais criadores e grande variedade genética de gerbos. Aos pouquinhos, sempre reproduzindo e levando de carro, os esquilos da mongólia foram subindo o Brasil. Mas esta migração foi muito pequena e lenta, tanto que até hoje existem pouquíssimos gerbis nas regiões Norte e Nordeste. 

 Nessa época, por volta de 2004, chegaram os primeiros gerbis como pet no Norte do País e eu consegui iniciar minha criação lá. 


SE NÃO REPRODUZIR ELES ACABAM
Como existem poucos criadores responsáveis, se pararem de reproduzir os gerbos, as genéticas recessivas desaparecem e até a espécie pode acabar na região. No Sul e Sudeste, onde eles chegaram primeiro e existem muitos criadores e exemplares, isso não tem tanto risco. Mas nas cidades do Norte e Nordeste onde chegou gerbil, não dá pra parar nunca a reprodução, pois em 4 anos eles somem. Os adultos morrem e se não tiverem deixados filhotes para reproduzir acabam os gerbis ali. Por isso é importante reproduzir e espalhar a genética recessiva deles ao máximo, para que eles nunca sumam do Brasil. Se eles desaparecerem, apenas trazendo novamente dos Países para conseguir recuperar esse animal no Brasil. 
Um exemplo prático é o meu caso:
 Eu reproduzi e espalhei gerbis em Belém do Pará de 2004 a 2008. Em 2008 eu me mudei para o Centro-Oeste, Brasília, e após a minha saída de Belém, ninguém continuou reproduzindo gerbis lá. Como consequência os esquilos da mongólia ACABARAM em Belém e apenas hoje, após 9 anos, é que alguns amigos meus estão conseguindo levar gerbis de carro para lá de novo, a fim de reproduzir e manter a espécie. Já aqui em Brasília, quando eu cheguei existia gerbil, mas APENAS AGOUTI E ARGENTE. Eu consegui casais de lugares bem distantes e comecei um trabalho de isolamento de genes recessivos até conseguir as outras cores para a região. Consegui um gerbil malhado de fora e com ele coloquei as marcações em Brasília também. E hoje, graças ao meu trabalho, existem TODAS AS CORES de gerbil em Brasília, que eu faço questão de espalhar para cidades vizinhas e de deixar as genéticas recessivas apenas com pessoas que pretendam reproduzir. Não adianta nada conseguir genética mega especial e rara, se você passar apenas para quem vai criar em duplas do mesmo sexo, né? Os pais desses gerbis vão morrer e eles precisam reproduzir para as cores não acabarem. Meu medo é sempre que aconteça o mesmo que aconteceu em Belém: O dia que eu parar de criar eles terminem novamente. E assim estou reproduzindo gerbos à quase 14 anos.

 ENTÃO NÃO CRITIQUEM CRIADORES QUE REPRODUZEM! É IMPORTANTE PARA QUE ELES CONTINUEM EXISTINDO AQUI! 


Na ordem então, resumidamente foi assim:

  1. Gerbis selvagens na Ásia
  2. Se espalharam por Países do hemisfério Norte
  3. Viraram PET
  4. Chegaram ao hemisfério Sul
  5. Vieram de carro da Argentina pro Sul do Brasil
  6. Do Sul chegaram ao Sudeste
  7. Universidades Federais começaram a criar PEW como cobaia
  8. De carro foram para cidades próximas


Texto e Fotos: Vivian Roncon